Perfil

Este blog é totalmente dedicado a todos aqueles que adoram os livros da autora Stephenie Meyer e que gostam muito da Saga. O livro surgiu da idéia de continuar a história escrita por Steph, dando continuação a Breaking Dawn. O livro Sunlight, representa a minha primeira obra e reservo todos os direito autorais sobre os personagens e o enredo à autora.



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Inspiração


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You are my life now. Você é minha vida agora.

dsdsds
I can't live in a world where you don't exist.
Não posso viver num mundo onde você não exista.

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Isabella Swan? I promise to love you forever — every single day of forever. Will you marry me? Isabella Swan? Eu prometo te amar para sempre – cada dia do para sempre. Case-se comigo?

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I am purely full of joy, because I am missing nothing. No one has more than I do now.
Estou num ápice de felicidade, porque não sinto falta de nada. Ninguém tem mais do que eu tenho agora.



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13/04/2009

 

Por: Aline Mayumi

 

Capítulo sete:

E eu achando que seria mais uma semana entediante

 

Um pesadelo. Em alguns segundos eu provavelmente acordaria de um, esfregaria minha testa aliviado pelas imagens que sumiam  e levantaria para mais um dia normal.  Apenas por um detalhe, aquilo não era um pesadelo; era real demais, era incomum demais para ser apenas um artifício da minha mente. Tudo estava realmente acontecendo, eu podia perceber na atmosfera que era grande, agora eu guardava um segredo tão descomunalmente valioso que me fazia cogitar opções nunca antes comedidas. Eu poderia pedir qualquer coisa que minha produtiva imaginação pudesse querer: estudo, fama, paixão, vingança, aprendizado ou até mesmo todos simultaneamente. Era um universo mutável de possibilidades. Eu precisava ponderar cada alternativa calmamente e pesar detalhadamente cada decisão tomada. Distanciar-me tanto de Bella, a pessoa que nesse momento me causava a maior fascinação existente seria um grande desafio, mas um desafio necessário para que o planejamento pudesse ser concretizado. Eu precisava decidir o que eu queria e essa decisão precisava ser tomada imediatamente.

 

“Onde ficam os livros de filosofia, por favor?” Eu me dirigi impacientemente para o rapaz que finalmente apareceu pela porta.

“Pela esquerda, corredor 5”. Ele estendeu o braço mostrando-me o caminho.

Exausto e distraído, era como eu poderia descrever o atendente da livraria da Universidade. Ele mal havia chegado ao balcão para me atender e já havia voltado para trás da loja, sua função não era agradável e por isso ele a fazia de mau jeito, mas eu não me deixei abater e segui em direção ao corredor que me fora indicado.

O curso de filosofia acionava um lado em mim que nenhum outro curso, por mais complexo que fosse, acionava. Era como ver um filme, várias e várias vezes, sobre o ponto de vista dos diferentes personagens. Essa visão artística sobre as coisas era minha maior característica e ver através dos personagens, ou até mesmo das pessoas, era a minha maior ambição. Eu mais apreciava as reações ou os gestos da pessoa que eu estava conversando do que propriamente sobre o que ela falava, era definitivamente um hábito incomum observar tanto as pessoas, algumas se sentiam desconfortáveis e por isso eu procurava sempre disfarçar.

Meus pais, como sempre, nunca estavam satisfeitos com as minhas escolhas. ‘Um desperdício de potencial’, era como me chamavam freqüentemente. Eles preferiam ter um filho médico ou engenheiro e não um filósofo, como se essa fosse a pior das carreiras a se seguir. Eu não os escutava. Estudar e analisar livros era o que eu gostava de fazer, e isso bastava.

Era a primeira vez que precisava vir àquela livraria, todos os outros livros pedidos pelos professores eu já possuía ou já havia lido. Mas os conseguintes do trimestre eram raros demais para eu tê-los visto em outra livraria ou biblioteca antes. Fui amontoando todos num canto e em menos de uma hora a pilha já tinha cerca de um metro. Eu estava comprando muito a mais do que os pedidos, alguns títulos interessantes faziam minha mente ferver só com a vontade de mergulhar de cabeça na história. Resolvi que seriam necessárias duas viagens para levar todos os livros e fui escolhendo os últimos títulos para prosseguir ao caixa.

‘Eu vou até lá convidá-lo, ele é muitooo bonito, talvez ele e a garota nem estejam juntos, talvez sejam parentes’.

Eu me virei bruscamente para o corredor atrás de mim, mas não havia absolutamente ninguém. A voz soou tão nítida e alta que a pessoa que havia falado precisava estar muito próxima de mim, praticamente falando em meu ouvido. Quase como se tivesse sido dita dentro da minha cabeça. Certifiquei-me novamente de que não havia ninguém por perto. Eu estava estudando demais, talvez fosse isso, sobrecarga de leitura.

‘Edward, Edward, onde você está?’

A voz me assustou penetrantemente. Eu nunca havia escutado tal como aquela, soava titilante e harmoniosa e só podia vir da boca de alguém com cordas vocais extraordinariamente afinadas. Mais uma vez eu me virei para procurar a dona, que não era a mesma pessoa da primeira vez. Aquilo estava insano, eu estava ouvindo vozes enquanto sozinho. Seria fascinante se não fosse tão assustador, talvez fosse o ambiente que estivesse me causando isso, como um eco dentre as estantes forradas de livros. Larguei o volume que segurava em minhas mãos e me dirigi à pilha logo à frente. Ela estava bastante pesada, mas o caminho até o caixa não era tão longo, então o esforço seria apenas temporário.

Foi um choque estrondoso, todos os livros da minha mão foram ao chão e meu braço estava doendo pela colisão. Demorei alguns segundos até me dar conta de que havia alguém à minha frente, mas esse tempo foi o suficiente para que ela pegasse todos os livros do chão e colocasse-nos em cima da tábua da estante novamente. Meus olhos se fixaram absurdamente hipnotizados na garota, ela era definitivamente linda, com um tom de pele sobrenatural.

“Oh, me desculpe”. Ela disse apressada. A dona da voz, da segunda voz, da voz tão linda quanto sua aparência. Sua beleza era totalmente atípica, tais quais as vindas de mulheres fotografadas por profissionais e depois publicadas nos outdoors, depois de muitos retoques. Nada se comparava. Continuei observando-a arrumar sua roupa e me dei conta que ainda estava no chão. Levantei-me rapidamente.

“Licença”. Ela pediu gentilmente, seguindo acelerada pelo corredor. Mesmo correndo ela continuava graciosa e meus olhos só se separaram de sua figura quando ela desapareceu em outra fileira.

Ela havia arrumado perfeitamente todos os livros em cima da estante. Fiquei parado por um tempo esperando recobrar algum senso em minha cabeça. Mas parecia que tudo estava um pouco fora do comum.

‘Eu simplesmente não acredito que eles são casados, deve ser alguma encenação, estão mentindo com certeza. Isabella Cullen, minha esposa. Até parece, com certeza aí tem coisa’.

A primeira voz voltou a ecoar, mas com raiva e frustração em suas palavras. Muito longe, eu pude escutar o barulho do sino da porta da livraria tocando e uma batida forte. O tom de voz e a batida combinavam perfeitamente, o que não combinava era a distância que eu havia escutado a indagação da garota e o pior, a intensidade que ela falou. Não era algo que ela falaria em voz alta, foi como um discurso, um pensamento para si, ou a garota simplesmente falava o que lhe vinha à cabeça. Eu permaneci onde estava com alguns murmúrios em minha cabeça, eles começavam a ficar menos nítidos, era como uma transmissão da freqüência policial só que bem tênue. Apanhei os livros mais uma vez e segui em direção ao balcão, no caminho eu pude escutar o sino da porta mais uma vez.

‘Muito bonita essa garota, uma pena estar acompanhada’. Aquela era a voz do atendente, ele olhava pelo vidro da frente duas pessoas se movendo agilmente em direção ao estacionamento do campus.

            “É só isso?” Ele virou para mim enquanto eu colocava os livros no balcão. Não pude deixar de perceber que seu tom de voz havia mudado completamente, o tom que ele havia usado antes continha um interesse sobressalente, porém quando se dirigia a mim sua voz voltava no tom tedioso e desinteressado de costume. Não havia sido somente eu que havia reparado nela, com certeza ela não passava despercebida pelos olhos de ninguém. Como um cometa hiper-brilhante num céu escuro, algo para se notar e fartamente notório.

Postado por Line às 20h28


Eu havia me dado conta que outra coisa além da minha excitação por filosofia e livros havia sido reposta, minha mente repetia incessantemente cada palavra melodiosa que eu escutara dela. Agora, saber seu nome era o que faltava para completar o quadro. Um nome. Era tudo o que eu procurava. Olhei atentamente para a janela, mas os dois agora só eram vultos longínquos e mesmo que eu conseguisse enxergar algo, isso não seria útil ao que eu procurava. Eu voltei a atenção para o caixa, ele trabalhava vagarosamente empacotando os meus livros e dispondo-os em uma caixa de papelão usada, foi quando notei o recibo da sua última venda pendurada na bobina do aparelho, para minha sorte eles fizeram o pagamento em cartão e isso me dava acesso não só ao nome como também seu endereço. Eu não precisava de mais do que isso, não estava perseguindo-os. Meu interesse era mera curiosidade sobre quem seria aquela garota que se evidenciava entre tantas outras.

Eu destaquei rapidamente a última parte do rolo e coloquei discretamente no bolso da minha calça a tempo de ouvir o balconista se dirigir a mim.

“Pronto, senhor. Como quer pagar?”.

“Cartão, por favor”. Eu estendi o cartão em sua direção. Ele o pegou e finalizou ligeiramente a compra.

Eu levantei a caixa e comecei a andar em direção a porta, tentei me conter para não jogá-la em algum canto e ler o recibo em meu bolso e alcancei meu carro no estacionamento. Depois de colocar a caixa no porta-malas eu sentei no banco do motorista e liguei o ar quente puxando o papel em meu bolso.

Edward Cullen – Spencer Rd. O mesmo nome que ela chamara, o nome que eu ouvi sua voz gritar entre os corredores da livraria. Então eles tinham uma ligação e aquela certamente era Isabella Cullen. Mas, que ligação seria essa? Irmãos? Ou quem sabe marido e mulher. ‘Isabella Cullen, minha esposa’. Foi o que a garota disse veemente. Pareceria absurdo para qualquer outra pessoa pensar em tudo isso enquanto dirigia por uma estrada tão nevoenta ao redor do campus de Darthmouth, mas minha mente parecia não funcionar como as de outras pessoas normais. Como se ela estivesse em constante alerta, e precisasse ser alimentada com algum tipo de desafio intrigante. Ela pedia por isso, por pensamentos inusitados, por enigmas nunca resolvidos. Ela estava sempre muito aberta para a situação que se passava, como em uma conversa casual, em que eu conseguia fazê-la funcionar igual a da pessoa com que eu estivesse conversando. Os pensamentos eram conjuntos, e eu me sentia como a outra pessoa, triste, alegre, sensitiva. E era nessa parte que eu me repreendia. Era extraordinário ela conseguir trabalhar de diferentes formas, isso a tornava especial. Porém, ela sofrer essa influência das outras pessoas, filtrando o que elas estavam sentindo, às vezes era um impasse.

Isabella Cullen. O nome martelou em minha cabeça durante todo o caminho e eu tentei vagueá-la com outros assuntos importantes da universidade. Minha casa ficava a poucas quadras do campus e eu também possuía um quarto na república próximo ao gabinete de admissões. A vista da janela do dormitório era muito bela, mas nada se comparava a sentar-me no gramado verde e folhado do campus sentindo a brisa primaveril esvoaçando por todos os lados; esse passatempo tem sido há muito tempo considerado deleitável por mim e por essa razão decidi permanecer no dormitório da Universidade, mas antes eu deveria passar em casa para buscar algumas roupas e objetos de higiene pessoal.

Minhas renegadas férias chegavam ao fim, mas pela primeira vez em anos eu ansiava pelo seu término desesperadamente. Havia milhares de coisas das quais minha mente poderia estar se ocupando, assuntos importantes a serem lidados, mas obviamente, nada poderia dar lugar a essa mais nova fascinação que me dominava.

[...]

Quatro dias, foi a soma dos que passaram desde meu encontro com a garota na livraria da Universidade. Em todos eles eu me sentava à sombra do velho carvalho  próximo ao centro da praça do campus e lia meus livros, me desconcentrando a cada instante que uma garota passava ao meu lado e buscando todos os dias, uma explicação plausível para o que ocorrera naquela tarde, aquelas vozes de pessoas distantes simplesmente ecoando limpidamente em minha mente. Mas nada realmente explicativo surgiu, apenas que eu pudesse estar ficando totalmente louco. A festa estava marcada para o dia seguinte, o último dia do recesso da primavera e nela eu esperava reencontrar alguns amigos e talvez outra pessoa.

Por que? Por que essa garota tinha que ser tão extraordinariamente incomum a ponto de me deixar tão interessado? Ela mal trocara meia dúzia de palavras comigo e aqueles poucos segundos da sua presença estava sendo passado em flashs pela minha cabeça milhares de vezes por dia, a som da sua voz e suas palavras rodavam aleatoriamente distorcendo todos os meus outros pensamentos. Quem eram Isabella e Edward Cullen? O que significavam um para o outro? O que ela significava para mim? Eu coloquei meu livro sobre Immanuel Kant de lado, visivelmente aborrecido por não ter desfrutado de nenhum de seus parágrafos. Fechei meus olhos apoiando o topo da cabeça no tronco grosso da árvore e tentei parar de refletir, espairecer todos os pensamentos, branqueá-los. Não sei por quanto tempo fiquei daquele jeito, impedindo qualquer idéia de entrar, bloqueando-as por completo.

Eu provavelmente estava sonhando, havia pegado no sono e nele eu caminhava entre as árvores de uma das ruas mais isoladas da universidade, um vulto veloz  corria na minha frente seguindo para uma das saídas  por onde os alunos costumavam correr, uma garota de cabelos curtos e bagunçados, eu a chamei pedindo que esperasse mas ela não me dava ouvidos, quando ela aumentou o passo a cena foi rapidamente se extinguindo, agora eu me encontrava em outro lugar, eu reconheci rapidamente como a mansão de festas de Dartmouth, já organizada para a festa do dia seguinte, ela se desfocou e voltou comigo no meio de uma conversa, amigos e conhecidos da faculdade em um grupo falando sobre diversas coisas, nenhum deles era particularmente importante para eu prestar atenção em suas palavras, exceto por um. O que ele fazia ali? Talvez eu estivesse confundindo com outra pessoa. Não, era ele, o mesmo cabelo cor bronze avermelhado e pele pálida que saíra da livraria com a pessoa que eu mais ansiava encontrar. Seu rosto era pensativo e ardiloso como se analisasse cada uma das feições naquela roda. Ele começou a falar alguma coisa num tom decidido, mas novamente a cena foi escurecendo. Ela deu lugar a uma de mim mesmo no Congresso, eu estava sendo prestigiado por uma descoberta científica, havia aplausos e olhares de aprovação por todos os lados, inclusive de meu pai. Eu olhei para a tela projetada atrás de mim e nela havia um brasão de um dragão flamejante e uma mão acima de sua cabeça, eu tentei ler inscrição abaixo, mas a cena havia ficado embaçada novamente.

No instante seguinte eu estava novamente na grama sentado, a tarde ainda estava clara e as pessoas que há pouco eu havia observado ainda estavam lá. Exatamente como da última vez, só que agora, as imagens eram nítidas e reais, como premonições. Eu olhei para os lados somente para me certificar que aquele estranho fato só ocorrera comigo quando avistei muito longe dali, uma figura incomum ia em direção ao quadro de avisos. Eu poderia confundi-la com qualquer outra estudante com uma simples exceção: eu a reconhecera, havia acabado de vê-la em meu sonho, o vulto pálido correndo entre as árvores, com o mesmo traje e o mesmo cabelo desgrenhado e curto. Aquela seria minha chance de conseguir uma resposta. Eu mais que rapidamente levantei e andei em sua direção, ela se debruçava no quadro procurando por alguma coisa e quando encontrou o que queria puxou o panfleto do mural e partiu ligeiramente por uma rua alternativa. Eu a segui sem hesitar nem me importar com os possíveis olhares curiosos, minha vontade por uma explicação estava acima disso. Déjavù.

Postado por Line às 20h26


A cena, as mesmas árvores balançando na mesma direção. Meus pés batendo no chão duro e fazendo o mesmo barulho. Exatamente igual.

Ela apertou o passo, não olhava para trás nem vacilava, apenas continuava em direção à saída.

“Espere! Tem algo que quero perguntar...” Era inútil, nada a faria parar. Seria possível que nem tivesse notado minha presença.

Quando virei a esquina ela já havia desaparecido, sem deixar nenhum rastro, nada que pudesse me dizer para onde tinha ido. Foi exatamente como no sonho, uma repetição bizarra, uma duplicata que a cada instante fazia menos sentido. Quem eram aquelas pessoas que pregavam nossa atenção com tanta rapidez e com essa mesma rapidez desapareciam?

Nunca antes havia desejado algo com tanta intensidade, como se cada célula do meu corpo estivesse pedindo por ela, pela garota, algo me dizia que havia muito mais nela que a aparência exterior, algo que me surpreenderia. Meu cérebro poderia estar gritando sobrecarregado de pensamentos sobre ela, e mesmo assim, eu o abarrotava com novas dúvidas, novas indagações.

Eu dei meia volta seguindo o caminho do dormitório, meu estado era deplorável por causa das noites em claro e eu precisava de uma boa noite de sono. Entrei embaixo do chuveiro quente pensando inevitavelmente nela e em que tipo de pessoa ela escolheria para passar a vida. Olhei-me no espelho embaçado, esperando que o reflexo fosse a resposta.

Adormecer nunca fora tão difícil, eu repensava de novo e de novo em tudo o que acontecera naquela semana que fizera ser a menos entediante da minha vida, como se durante as primeiras duas décadas dela tivessem sido algum tipo de treinamento e somente agora que eu havia encontrado Isabella, ela realmente estaria começando, minha vida após conhecê-la seria meu ponto de partida para um ponto de chegada que eu nunca gostaria de alcançar.

 

Correção por: Camila P. Olmedo

Postado por Line às 20h25

21/02/2009

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Postado por Line às 13h42

18/02/2009

Capítulo seis:

Blue Lagoon

 

Chad. Esse foi o primeiro nome que escutei ao me aproximar da mansão enorme no fim da rua. Uma garota sentada no banco de madeira na varanda o chamou com uma voz melosa e as bochechas rubras. Eu conseguia escutar muitos outros sons na casa, mas aquela voz eu já havia ouvido antes, era de uma das garotas que havíamos encontrado na biblioteca na semana anterior. Aquela não era propriamente uma casa, estava mais para um salão destinado para festas e afins e, naquela noite ela estava decorada com apetrechos para algo descontraído.

“Respire, amor” Edward lembrou em meu ouvido. Aquilo não me acalmaria, mas pelo menos me daria um ar mais normal. Eu não estava tensa, apenas ansiosa para o que quer que estivesse me esperando. Entramos pela porta e nos movemos rapidamente para o salão espaçoso onde todas as pessoas estavam, havia muitos pufs espalhados nos cantos e alguns sofás ao redor, mas a grande maioria se concentrava na pista de dança.

Eu rapidamente reconheci no meio das pessoas a garota loira que havia nos convidado. Naomi estava linda e dançava sensualmente, achei que seria melhor começar a por os conselhos em prática.

“Hey, tudo bem?” Eu a alcancei timidamente. Ela parou de dançar e me encarou confusa por um momento, bastou um rápido olhar para Edward, que estava muito atrás de mim, para que ela voltasse a me encarar.

“Oh sim. Bella, não é? Vejo que você mudou de idéia...”.

“Sim, gostaria de me desculpar pela forma que agi naquele dia. Eu não estava em um dos meus melhores”. Eu realmente estava arrependida, nada daquilo fora premeditado então eu não podia culpá-la inteiramente.

“Ah! Nós nunca estamos, certo? Bom, espero que você se divirta, é pra isso que estamos aqui”. Ela voltou a dançar. Suas amigas que até aquele momento estavam observando nossa conversa, agora perguntaram por baixo do fôlego quem era eu e o que eu queria. A música trocou naquele instante junto com as luzes que de coloridas passaram a piscar rapidamente, dando uma sensação de lentidão em todos.

“Ela acreditou nas suas desculpas, acho ótimo que você tenha se lembrado... Não que você tenha feito algo errado, mas é bem melhor vê-la como amiga do que como rival das garotas”. Edward riu ao meu lado. A música nos convidava para dançar, mas eu nunca havia realmente aprendido como. Quando humana, eu fugia insistentemente de qualquer coisa que implicasse em movimentos ao redor de pessoas, sempre fui um desastre em qualquer atividade e era um perigo para todos, inclusive a mim mesma. Mas agora, como uma vampira considerada graciosa, aquela era uma boa hora pra aprender alguns passos.

Olhei para os lados reparando na forma como todos dançavam, os movimentos eram sempre iguais, bem largados como se deixassem o corpo seguir as batidas do som, mas os estilos eram diferentes. Alguns mais rápidos e outros mais devagar, mas sempre seguindo o ritmo. Tentei imitá-los, mas de um jeito menos chamativo. Edward seguia meus movimentos com uma destreza impressionante, eu podia até mesmo confundi-lo com algum dançarino amador ou alguma coisa assim.

“Quando você aprendeu a dançar?” Perguntei curiosa. Meu corpo já estava se acostumando com os movimentos e eu estava dançando mais a vontade.

“Há muitos anos atrás. O jeito que se dança hoje é bem parecido com o de antigamente”.

Nós poderíamos continuar dançando daquela forma durante dias sem nos cansar, mas achamos que seria melhor dar uma pausa, pois apesar da luz escassa, estávamos começando a ser notados.

“Vou até a mesa de bebidas buscar algo para segurarmos”. Edward tocou meu ombro e virou-se para a extensa mesa no fundo do salão.

Meio segundo depois ele estava de volta com dois copos contendo uma bebida azul que brilhava levemente.

“Cheira forte”. Reparei torcendo o nariz. O cheiro de álcool e mirtilo que exalava do copo penetrava violentamente nas minhas narinas causando uma sensação de formigamento.

“Só para nós”. Ele brincou. “Você mal conseguia sentir o cheiro quando humana lembra-se?”

Nós andamos até a parte de fora do salão, ali as pessoas conversavam e confraternizavam em pequenos grupos.

“Eu nunca tinha bebido antes”. Admiti. Não sabia se ele achava isso uma coisa boa ou ruim, então procurei dizer numa confissão. “Como é a sensação? Eu já vi em vários filmes e não parece tão bom estar bêbado”.

Edward não riu da minha inocência nem por um instante, mas não estava sério também. “A sensação humana ou vampira?”

Pensei por um instante, de que adiantaria saber a humana se eu não poderia experimentá-la? “A vampira”.

“Bom...” Ele começou procurando por lembranças na memória. “Ela é diferente em cada um. Alice diz que suas visões ficam mais coloridas e serelepes. Eu não sinto diferença alguma, a não ser que algumas vezes as vozes que ouço parecem mais altas, agora Emmett pode jurar que quando bebe fica mais forte, mas tudo o que ele consegue é ficar mais ignorante”.

Nós dois soltamos uma risada juntos, não era difícil imaginar a cena de Emmett orgulhoso pelas vitórias consecutivas de quedas de braço e lutas. Edward me deixara curiosa, analisei lentamente o copo em minhas mãos e inspirei por cima dele tentando sentir algo mais fora o odor de álcool e cerejas azuis.

“Você devia ir conversar com as garotas logo ali”. Ele apontou disfarçadamente para um grupo a nossa frente. “Enquanto eu vou por aqueles lados”.

“Certo.” Virei e andei procurando parecer casual.

“... finalmente começando a entender as palavras do escritor. Ele procura incentivar a imaginação apenas com o uso de verbos. Uma leitura interessante se querem saber”. Uma garota terminava de dizer. Ela sorriu embaraçada quando me viu a sua frente. “Oh... olá, você é... nova por aqui?”

“Sim, meu nome é Bella Swan”. Todas as garotas agora me encaravam. Elas começaram uma a uma a se apresentar, havia umas sete delas e eu fui fazendo uma recordação fotográfica mental do rosto de cada uma.

“Que curso você entrou?” Uma delas perguntou. Chamava-se Lisa, e era uma garota baixinha com sardas no nariz e nas bochechas.

“Estou em Literatura Comparativa, entrei agora, nesse semestre”. Minha voz estava mais melódica do que eu havia previsto. Tentei limpar a garganta para deixá-la mais natural.

Postado por Line às 21h34


“Você conseguiu ler toda a lista antiga? Ela era enorme...” Uma de suas sobrancelhas se arquearam especulativamente.

“Sim, foi bem difícil, mas consegui.” Menti. E então todas elas começaram a falar sobre os seus próprios cursos de Medicina, Administração, Engenharia, falando sobre os benefícios de cada um. Eu mais ouvia do que falava e, aos poucos suas vozes começaram a ser abafadas pelo meu desinteresse. Localizei Edward com minha visão periférica a tempo de notar sua expressão levemente consternada, ele perguntava incrédulo algo para um dos garotos ao seu lado. Desliguei a parte da minha cabeça que se mantinha focada na conversa das garotas e usei-a para escutar o que eles lá longe diziam.

“Eu não tenho certeza... acho que li em algum lugar.” O garoto respondia.

Michael. Esse foi o nome que um dos garotos usou para se dirigir a ele, uma pergunta casual sobre suas férias de verão. Edward olhou por um segundo para mim e sorriu escondido por baixo do fôlego. Michael pareceu ter percebido e também se virou para me encarar, desviei o olhar me fazendo de desentendida de sua conversa. Voltei para as garotas à minha frente, mas a encenação não durou muito, logo estreitei meus ouvidos para eles novamente, que ainda conversavam sobre suas vidas fora da faculdade. Analisei criticamente cada um, nenhum parecia se exceder como Edward fazia quando falava, todos opinavam um pouco e contavam algo. Apenas um se mantinha calado na maior parte do tempo, falando apenas quando necessário, dando respostas cultas e racionais.  Ele era observador assim como eu e mostrava-se reservado, mas mantinha sua presença marcante e todos ficavam quietos quando ele tinha algo a dizer, ele era considerado popular, não somente por beleza, visto que ele era bonito, mas por sua perspicácia e astúcia.

“Bella, você está aí?” Eu escutei alguém me chamando.

“S-sim, qual foi a pergunta?” Indaguei retomando minha atenção.

“Nós perguntamos se você está interessada em algum deles.” Ela repetiu num tom malicioso apontando disfarçadamente para os garotos.

“Não exatamente...” Não seria uma boa idéia as garotas saberem tudo sobre a minha vida, até mesmo Edward era sensato para contar mentiras ou simplesmente omitir aquilo que pudesse comprometer nosso segredo.

“O Kevin até que é bonito, mas acho que prefiro o Michael, ele tem um jeito tão misterioso de falar e agir.” Alana cochichou para todas nós, nenhuma discordou.

Até aonde socializar implicava em dizer mais do que eu deveria? Eu devia mentir toda vez que a pergunta pudesse causar algum problema? Essas dúvidas assolaram minha cabeça e eu não pude deixar de ficar apreensiva. Decidi que precisaria ocupar minha boca para fugir de algumas delas, olhei rapidamente para o salão me perguntando se o gosto dos salgadinhos seria tão ruim agora. Foi então que percebi, as palavras de Edward rasparam rapidamente pela minha cabeça: ‘A sensação é diferente para cada um... ’ Eu já não continha minha curiosidade e aquela parecia a utilidade perfeita para o copo em minhas mãos, um pouco hesitante eu levei o copo à boca bebendo um gole do líquido azul brilhante. Não o engoli imediatamente, a fim de saboreá-lo por completo, ele era quente e causava uma sensação engraçada em minha língua.

No mesmo instante senti uma vibração vinda de alguma parte embaixo da minha cintura. Aquela já seria a primeira sensação? A desconfiança estúpida só durou um segundo até eu me dar conta de que era apenas o meu celular no bolso da minha calça. Eu mal precisava olhar na telinha piscante para deduzir que era Alice quem ligava. Ela provavelmente queria um relatório completo antecipado, abri o aparelho rapidamente e apertei o botão ‘End’, ela teria que esperar até chegarmos em casa para saber, eu pensei engolindo rapidamente todo o álcool de uma só vez.

Foi então que o verdadeiro efeito surtiu, o líquido queimou intensamente em minha garganta e eu tive que tossir para que ele descesse mais rápido. Pareceu um engasgo, mas com certa classe.

“Uhoh, vai com calma no Blue Lagoon, amiga.” Jennifer, a garota ruiva com um vestido verde que combinava com seus olhos, quem disse dessa vez. “Tome aos goles que atrasa o efeito.” Ela fez movimentos circulares bem devagar com a mão como se quisesse introduzir um ritmo.

Depois de passada a queimação foi a vez de um sensação maravilhosa me atingir, aquela bebida era doce e dava a impressão de ter sangue correndo nas veias novamente. Segui as instruções da garota e terminei o copo aos goles. O efeito duplicou e eu pude sentir o álcool realmente percorrendo meu organismo, um êxtase superficial e um frio na barriga que eu não sentia há muito tempo. Era como voltar a ser humana e descer de uma montanha-russa a toda velocidade. De repente, toda a exaltação pulou do meu corpo e subiu à minha cabeça, aquilo era muito excitante, todas aquelas inferências com pontos isolados em minha cabeça. Tive a sensação dela estar se dividindo ao meio, como se alguma coisa se esvaísse pouco a pouco e se misturasse com o vento.

Fechei meus olhos por um curto espaço de tempo e senti uma brisa atrás de mim. As pessoas murmuravam palavras pouco inteligíveis e eu já não distinguia de quem era cada voz, apenas uma muito familiar se sobressaiu entre elas. Era a voz de Edward, tentei me concentrar no que ela dizia, mas minha cabeça continuava absorvida em memórias que se moviam de dentro para fora em uma ventania.

“Bella, você está bem? O que aconteceu? Porque você está gritando dessa forma?” Voltei à consciência, mas ainda estava atordoada. Eu estive gritando?

“Eu... não tenho certeza, mas acho que foi a bebida. O que eu gritei?” Minha voz soou trêmula. Notei que estava sentada num canteiro de flores no escuro, longe das pessoas e a música que tocava era audível, mas estava muito longe de nós.

“Você não estava exatamente gritando, apenas para mim, mas nunca dessa forma. Apenas o de sempre, o que você já passou, as suas memórias. Você devia ter me chamado quando quisesse beber.” Ele explicou. Seu olhar indicava certa aflição e ele estava concentrado em algo em sua própria mente.

Um desespero me tomou inteiramente. Eu não estava nem um pouco ciente do que havia deixado à mostra ou como ele disse, gritado. Isso significava que qualquer coisa que eu estaria apenas pensando ele também veria? Não deu tempo de pensar naquela resposta, pois a sensação estava de volta. As lembranças eram recentes e mais nítidas e vinham rapidamente num flash.

“Bella, Bella. Olhe pra mim.” Foi a última coisa que consegui escutar antes de mergulhar novamente na inconsciência que o efeito me causava. Era como morrer e ter a retrospectiva da minha vida passando pelos meus olhos junto com a melhor sensação existente na terra.

“Eu vou buscar algo para diluir o álcool, por favor, não saia daqui.” Ele falou colocando as mãos no meu pescoço. Eu estava tão quente que o contraste entre a nossa temperatura era alarmante. Ele retirou suas mãos e correu em direção ao salão, andando mais calmamente quando chegou onde todos estavam.

O transe se intensificou. Tentei respirar pensando que, como praticamente todas as minhas sensações humanas estavam voltando, talvez essa também voltasse. Nada aconteceu, a euforia continuou a mesma e as imagens continuavam tumultuando o ambiente.

“Oi, você está bem? Eu posso te ajudar em alguma coi-” Sua fala parou bruscamente. Não era a voz de Edward. Abri meus olhos o suficiente para ver o garoto que há pouco eu estava observando. Vasculhei minha mente procurando pelo seu nome. Michael! Ela gritou finalmente.

“S-sim?” Ele sussurrou. Eu havia dito aquilo em voz alta? Não, meus lábios estavam cerrados em uma linha desde que a sensação havia voltado. Talvez tenha sido apenas coincidência. Parei de tentar lutar com minha própria cabeça e deixei que tudo o que ela quisesse expulsar fosse expulso.

Postado por Line às 21h33


As lembranças ficaram menos nítidas agora que minha memória humana que estava sendo desempacotada. Era como ver tudo através de um óculos sujo e embaçado. Algumas recordações que apenas eu sabia, outras com meus antigos amigos de Forks, com Jacob. Nenhum barulho chegava aos meus ouvidos, isso queria dizer que ou o garoto havia ido embora ou estava muito quieto, provavelmente se perguntando se a qualquer minuto eu iria atacá-lo ou começar a gritar como uma louca.

Senti dedos quentes e preocupados tocando a pele dura do meu braço.

“Você não está bem, vamos, vou te levar ao hospital”. Ele tentava me levantar do canteiro de tijolos em que eu estava sentada.

Ouvi um rugido por baixo de um fôlego se aproximando rapidamente de onde estávamos. Uma discussão começou a acontecer e eu tentava acompanhá-la, mas só conseguia pegar uns trechos da conversa.

“Nós não precisamos de nada, já estamos indo embora”. Edward parecia aborrecido. Tentei acalmá-lo dizendo que Michael só queria ajudar mas já era tarde, ele me escoltava em direção ao estacionamento.

“Bella, coma isso. Vai ajudar”. Ele me estendeu alguma coisa macia e um pouco grudenta. Foquei meus olhos tentando ver o que estava a minha frente, era um donut redondo e açucarado. Dei uma mordida pequena, o açúcar derreteu em minha boca, mas o gosto não era doce. Sua textura era de uma massa bolorenta com gosto de nada. Engoli sem reclamar enquanto entrava no carro.

“Sinto muito por aquilo”. Edward finalmente disse.

“Pelo quê?”.

“Pela dor... na transformação”. Ele balbuciou dirigindo velozmente até nossa casa.

Mordi meu lábio inferior enquanto a memória da dor agonizante voltava e fechei os olhos tentando pensar em outra coisa, dando outra beliscada no donut.

“Não era para você ter visto...” Murmurei. Edward apertou o volante mais firmemente.

“Eu sei. Desculpe-me por isso também”. Ele se calou como uma estátua e se concentrou desnecessariamente no caminho.

Deixei a frustração tomar conta de mim, as imagens que estavam muito lentas finalmente pararam. Agora eu sabia como todos se sentiam ao lado de Edward, envergonhados ou embaraçados pelos segredos que ele sabia. Mas, minha angústia era maior por simplesmente ter segredos com ele.

A luz da sala estava ligada, o que significava que Alice e Jasper já nos esperavam. Abri a porta e procurei-os pelo aposento. Ambos estavam sentados no sofá, Alice voltava de um devaneio.

“Eu tentei ligar, Bella, tentei avisar”.

“Eu sei, me desculpe”.

Subi a escada sem dar mais explicações, Edward não me seguiu, ele provavelmente iria explicar as coisas para Alice. Deitei-me na cama esperando que pudesse dormir e, ao acordar descobrir que tudo foi um sonho; não sei quanto tempo fiquei esparramada imóvel com os olhos fechados e a cara no travesseiro, mas não pareceu que fora muito quando Edward finalmente entrou pelo quarto.

“Alice e Jasper estão indo embora”. Ele falou sentando na beira da cama acariciando minha cabeça com a ponta dos dedos. “Eles estão indo a Biloxi encontrar a sobrinha de Alice”.

Alice me contara da filha de sua irmã biológica há muito tempo atrás, quando ela havia voltado sem pedir permissão ou dar aviso para Forks, achando que eu estava morta. Continuei calada a respeito da notícia, só de pensar que amanhã poderia ser um dia para outro eventual lapso já me causava um arrepio incomum na espinha.

Sentei apoiando minha cabeça nos joelhos e procurei espairecer minha mente apenas com idéias futuras. Eu já havia decidido, agiria o mais normal possível e não me excederia em nada, como sempre fiz quando humana. Seria mais justo para todos e principalmente pra mim ser apenas Bella.

“Você está chateada? Quer conversar sobre isso?” Ele tentou me animar novamente. Eu não estava chateada com ele e nem com ninguém, apenas decepcionada por continuar desastrada e desatenta para certas coisas. Hesitei um pouco se deveria quebrar o silêncio ou continuar quieta.

“Você também cometeu muitos erros logo que virou vampiro?” Eu finalmente disse, levantando a cabeça para alcançar seu olhar.

“É com isso que você está preocupada? Bella, você só está no começo e já fez mais do que era esperado mesmo enquanto recém-nascida. Tudo tem um tempo certo para acontecer”.

Engatinhei em sua direção atravessando as cobertas amarrotadas e entrelacei meus braços ao redor do seu pescoço. Ele me acomodou em seu colo e pôs as mãos em torno da minha cintura.

“Eu te amo, sabe? Pelo jeito que você foi e pelo jeito que é, e nada do que você ou qualquer um faça irá me fazer mudar de idéia”. Edward falou me olhando intensamente, seus olhos dourados estavam flamejantes de sinceridade. Era simplesmente impossível ficar chateada perto dele, ele tinha essa capacidade de fazer todos os problemas que me atingiam parecerem um final de semana no campo.

“Nada?” Perguntei desafiando-o. Meus lábios já esboçavam um sorriso entreaberto de breve satisfação. Ele passou o dedo na minha bochecha deslizando até o canto do meu sorriso e sorriu também.

“Nada”.



Correção por: Camila P. Olmedo

Revisão por: Willian dos Santos

Agradecimentos à: Ana Paula Ferreira

Postado por Line às 21h32

30/01/2009

cap. cinco

Capitulo cinco:

Boneca-Bella

 

As casas de Hanover eram todas muito parecidas, seguindo o mesmo padrão de dois andares, gramado à frente e acesso ao quintal pelo lado esquerdo. Porém, não foi difícil descobrir qual era a de Jacob, na garagem de uma delas havia uma motocicleta enorme, preta e recém encerada.

“Quando foi que você...” Indaguei apontando para a moto.

“Ela chegou hoje pela manhã. Eu pensei que Jacob poderia fazer uso dela por aqui.” Edward falou.

“Uhm... Certo.” Andei até a porta da frente e toquei a campainha. Eu pude ouvir o barulho da televisão ligada num desenho animado.

“Só um instante.” Jacob disse no outro lado da porta antes de correr para abri-la.

Nós andamos até a sala de estar e eu já podia sentir o cheiro peculiar de Jake totalmente impregnado no ar. Renesmee estava sentada bem em frente à grande televisão no centro do aposento, seus olhos vidrados na tela colorida. Ela já assistia desenhos para crianças bem mais velhas e sempre entendia tudo o que as personagens falavam.

“Oh, Bella, está tão cedo. Deixe-a ficar até a noitinha, por favor, por favor?” Jake implorou com seus olhos escuros. Pensando bem, sua idéia não era tão ruim. Se Renesmee ficasse com ele, eu teria mais tempo para me focar nos inúmeros livros e terminaria mais cedo. Quanto mais cedo eu terminasse, mais cedo eu estaria aproveitando o resto das férias.

“Ok, ela pode ficar.” Respondi.

Naquele instante meu celular vibrou, eu o puxei da bolsa e olhei o número no identificador.

“É Charlie.” Eu virei para informar Edward. “Alô? Pai?”

“Hey, Bella, como foi a viagem?” Sua voz parecia cansada. Pelo fuso horário, deviam ser por volta de sete da manhã em Forks.

“Foi tranqüila, você não precisa se preocupar com nada. Edward cuidou de tudo antes de virmos.” Eu estava me lembrando da despedida de Charlie, dois dias antes da minha viagem. Ele estava visivelmente alegre por me ver indo para a universidade, mas se pudesse escolher, ele preferiria que eu ficasse. Demonstrar sentimentos ainda era muito complexo para nós dois, mas aquelas emoções estavam estampadas em sua face.

“Outra coisa, talvez você devesse ligar para Alice. Ela estava bem preocupada ontem à tarde. Vocês não atendiam ao telefone, mas eu achei apenas que estavam cansados da viagem e foram direto dormir.” Ele lembrou.

“Uhm... Sim, nós fomos dormir direto. Vou ligar para ela daqui a pouco.” Nem Edward, nem eu teríamos notado o telefone na noite passada.

“Então acho que é só isso. Renée desejou boa sorte no começo de aulas. Ela disse que assim que voltar pra Flórida (ela) te manda um e-mail. Até, filha.”

“Tchau, pai.” Falei apertando o botão End.

Suspirei fechando o celular. Se eu conheço bem a Alice, ela estaria bastante entusiasmada para saber tudo o que aconteceu até agora. Minha vida com Edward deve ser um passatempo muito interessante para ela.

Eu comecei a discar os números quando Edward me interrompeu.

“Amor, acho que isso não será necessário.” Ele disse fechando o celular num gesto rápido. Foi quando senti um cheiro que eu conhecia bem, vindo do sul. Alice e Jasper estavam na cidade e não estavam longe.

“Ela veio até aqui só porque não atendemos ao telefone? Ela deve estar pirando.” Eu disse nervosa. Alice era excessivamente exagerada.

“Não exatamente só por causa disso.” Sua expressão parecia misteriosa e especulativa. Eu perguntaria a Alice pessoalmente, eles não estariam muito longe agora.

Respirei conformada e andei até o tapete em frente à TV. Renesmee desviou sua atenção e me olhou nos olhos indagativa.

“Sabe quem veio te visitar?” Eu perguntei. Ela alcançou a pele do meu rosto com suas mãos. Uma imagem de Rosalie com seu rosto terno e maternal e outra de Emmett, brincalhão e provavelmente rindo de alguma piada, apareciam em minha mente.

“Não, seus outros tios.” Respondi seu pensamento. Ela agora mostrou uma de Alice dançando com ela na cozinha e outra de Jasper conversando com Carlisle, próximo a porta da casa em Forks.

“Sim, eles estão chegando.” Tentei sorrir. Ela começou a se levantar e andar até a porta. Pela forma que andava e pelo seu tamanho, ela podia ser facilmente confundida com uma criança de quatro anos. Eu estava feliz por estar acompanhando seu crescimento, mas não conseguia deixar de notar o quão rápido ele estava sendo. Quando ela pararia de crescer? E se ela não parasse? Não, eu não queria pensar naquelas coisas.

Nossa casa não era muito longe daqui. Alice e Jasper iriam primeiro para lá e notariam que estava vazia, para depois procurar-nos aqui? Não, Alice já teria visto que estávamos aqui, de alguma forma. Minha pergunta foi respondida com o barulho de uma porta de carro batendo no outro lado da rua, o mesmo carro arrancou até o final da rua e então dobrou a esquina.

A campainha tocou. Jacob saiu da cozinha com um prato e três sanduíches de pasta de amendoim, gritando.

“Só um minuto.” Mas Renesmee já havia aberto a porta.

Alice adentrou ligeiramente na casa abraçando Renesmee, Edward e a mim no caminho e até mesmo Jacob que quase derrubou o prato com seu toque, como se fôssemos velhos amigos que ela não via há anos. Jasper entrou em seguida carregando uma maleta quadrada e estilosa na ponta dos dedos.

“Só para antecipar, Alice, Bella não irá concordar com isso, não mesmo.” Edward começou falando.

“Bella fará isso por mim. Tenho certeza.” Ela replicou na mesma agilidade.

“Concordar com o quê? Do que vocês estão falando?” Eu quis saber.

Jasper andou até a minha direção e entregou a maleta para mim sussurrando um  “Boa sorte” baixinho. Eu a apoiei na mesa de jantar e abri cuidadosamente, imediatamente reconheci o notebook de Alice, aquele modificado para ser sensível ao toque vampiro.

“Pra que isso, Alice? Eu trouxe um computador comigo”.

“Oh, eu sei Bella.” Ela disse cintilante. “Mas esse está diretamente ligado com outro meu lá em Forks”.

Eu não entendi. Se ela quisesse manter contato, bastava ligar. A não ser que estivesse muito ocupada, eu atenderia.

Postado por Line às 17h27


CONTINUAÇÃO cap. cinco

“A propósito, gostou do meu presente?” Ela voltou a dizer.

Eu já estava desconfiada de que aquele livro era apenas outra desculpa para nos visitar.

“Claro, obrigada por lembrar.” Respondi enquanto ligava o notebook. A tela acendeu rapidamente e nela mostrava um calendário bem grande como papel de parede. O mês de janeiro estava dividido em quadrados que destacavam os dias. Eu toquei no dia de hoje e outra página se abriu. Uma boneca com o meu rosto apareceu no meio da tela usando exatamente as mesmas roupas que eu.

“Eu gostaria que essa tivesse sido diferente, mas não posso culpá-la. Você não poderia saber ainda o que usar.” Ela já estava ao meu lado falando.

Eu toquei a seta para a direita, o próximo dia apareceu acima da minha cabeça e outra Boneca-Bella usava uma roupa bem diferente da anterior. As verdadeiras intenções de Alice vieram como um click em minha cabeça.

“Ah, não. Nem pensar. Você não pode estar achando que eu vou seguir com uma maluquice dessas, Alice.” Eu avancei com as palavras antes que ela pudesse reivindicar.

“Alice, eu disse que ela não concordaria. Isso vai contra os princípios de Bella.” Edward falou.

Alice virou seu corpo ficando bem de frente para mim, ela puxou minhas mãos entre as suas e fez a cara mais triste que uma pessoa poderia fazer; lembrando-me um cachorrinho abandonado.

“Bella, por favor?” Ela implorou choramingando. “Eu já não suporto ter que viver tão longe de vocês, ter que ficar imaginando o que estão estavam fazendo e tudo mais, por favor, apenas isso?”

“Alice, já é demais, isso está ficando insano.” Tentei convencê-la

“Por favor, por favor, por favor? Vai Bella, eu sinto tanta falta de Edward e de você... E principalmente de Renesmee. Esme também sente”.

Senti uma sensação horrível, como se eu fosse uma vilã arrastando os entes queridos de seus familiares. Afastei o pensamento com uma careta.

“Pare de apelar para o sentimento de culpa da Bella. Ela não é culpada de nada.” Edward rosnou enfurecido para Alice.

“Não, ela está certa.” Eu revidei conformada. “É o mínimo que eu poderia fazer...”

Alice sorriu enormemente e deu alguns pulinhos, parecia uma criança que acabara de receber a notícia de que ganharia um irmãozinho.

“Obrigada, Bella. Eu sabia que você não me decepcionaria.” Ela disse beijando minha bochecha e andando até os braços de Jasper.

“Aliás, quanto tempo vocês pretendem ficar por aqui?” Eu me dirigi aos dois.

“Oh... Pelo menos até a festa, eu acho.” Ela suspirou perdida em pensamentos. “Estou desapontada com você Bella. Como você pôde recusar um convite como esse logo de cara? A primeira festa do ano da universidade é uma experiência única, não acredito que você pôde pensar em perdê-la”.

A única explicação para que ela soubesse dessa festa era que Edward havia cogitado a possibilidade de irmos antes de eu recusar veemente. Eu apertei os olhos acusadoramente para ele.

“Não o culpe, Bella. Ele está totalmente certo de querer que você vá. Você não veio para cá para aproveitar?” Ela perguntou.

“Sim, mas...”

“Não veio para conhecer pessoas novas, para viver normalmente?” Ela me ignorou.

“Sim, mas...” Eu repeti inutilmente.

“Então, não tem nada de ‘mas’. Você tem que mudar alguns hábitos para conseguir essas coisas.” Ela disse decidida. Era difícil retrucar quando ela colocava as coisas daquela maneira. Resolvi mudar de tática.

“Não é isso Alice. Você não está entendendo, eu estou decidida a mudar esses velhos hábitos. É só que...” Andei em sua direção e puxei-a para um canto. “Não tenho certeza se serei bem-vinda nessa festa. Quero dizer, você tinha que ver as garotas que convidaram Edward, elas eram tão...” Não encontrei palavras para descrevê-las.

Eu pude ouvir um longo suspiro atrás de mim e milésimos de segundo depois Edward estava ao nosso lado.

“Bella, você disse que não estava preocupada.” Edward proferiu parecendo tenso.

“Ninguém nunca te disse que é falta de educação escutar a conversa dos outros?” Perguntei histericamente.

“Não é falta de educação se eu estiver corrigindo um equívoco, e é disso que se trata. Você está fortemente enganada se acha que aquelas duas garotas fizeram alguma diferença na minha decisão.” Ele disse exasperado.

“Você me acha infantil.” Eu falei e isso não era uma pergunta. Eu realmente estava sendo infantil, não eram exatamente as garotas que me deixavam irritada, mas sim suas ações e, eu não podia culpá-las por agir dessa forma perto de Edward.

Ele sorriu radiante. “Você está sendo completamente normal.” E correu os braços ao redor da minha cintura, atando-me junto ao seu corpo.

Sofrer de um ciúme doentio ou de uma excessiva insegurança não era ser perfeitamente normal. Mas, eu não seria o elo fraco da nossa relação. Se isso requeria lutar para mudar minha personalidade, eu daria o melhor de mim. Saber que eu tinha uma pessoa tão perfeita inteiramente para mim me dava um tipo de poder e ao mesmo tempo uma maldição nunca antes conhecidos.

“Eu sei lidar com isso.” Finalmente falei.

Alice estava gostando do rumo dessa conversa. Pela sua expressão, ela tinha certeza que essa festa acabaria acontecendo e que eu acabaria cedendo por falta de argumentos.

“Nós nem ao menos sabemos quando ou onde exatamente ela será... talvez devamos deixar para a próxima”. Eu continuei.

“Bella, deve haver cartazes espalhados por todo o campus e achar a garota que nos convidou não será tão difícil de qualquer forma”.Edward replicou.

“Você está criando empecilhos onde não precisa novamente... Tão típico seu”. Alice disse balançando a cabeça. “Deixe-nos cuidar de tudo isso, você só precisará se focar nos livros por enquanto”.

Seria frustrante continuar lutando, isso era totalmente injusto, pois enquanto Edward e Alice reuniam juntos séculos de persuasão, eu mal reunia duas décadas.

“Está bem, eu irei!” Eu disse vencida. “Mas, apenas se conseguirmos terminar de ler todos os nossos livros.”

“Fechado.” Ela cantarolou indo em direção a Jasper novamente.

Jacob terminava de comer seu último sanduíche, lambendo os dedos grudentos. Apesar de parecer ser mais velho que qualquer outra pessoa naquela casa, perdendo talvez para Jasper com sua quietude e cicatrizes de guerra, Jake sentava numa posição infantil e ria divertido ao lado de Renesmee no tapete da sala. Era exatamente essa a cena que eu havia imaginado antes mesmo de decidir vir para essa cidade.


Postado por Line às 17h25


ultima parte cap. cinco

 Edward sabia que eu estava lembrando disso, ele já havia visto essa cena em meus pensamentos também. Ele olhava quieto para os dois a nossa frente, parecendo concentrado.

“Alice, pare de ser tão irritante. Quando Bella impôs a condição, ela não quis dizer exatamente agora.”

“Quanto mais rápido ela começar, melhor.” Ela contra-argumentou.

“Ta...” Ele bufou jogando as chaves velozmente. “Os livros estão no porta-malas.”

Ele mal pôde terminar de falar e ela já havia escapado pela porta da frente.

Meu tempinho de descanso havia acabado. Agora vinha a obrigação. Alice voltava com três livros grossos e de capa dura na mão.

“Você quer começar com crônicas russas, um romance francês ou poemas árabes?” Ela disse levantando cada opção.

“Eles estudaram tudo isso num semestre?” Meus olhos se arregalaram de surpresa.

“Eles variam bastante e pedem que os alunos escolham da lista de leitura, a comparação é feita em debates de grupos dos alunos que escolheram o mesmo livro, então não será sempre que cairemos no mesmo grupo, Bella.” Edward explicou.

“Certo, me passe o romance.” Decidi por fim. O livro de brochura grossa estava novo em folha, mas sua capa avermelhada lhe dava uma aparência envelhecida. Comecei a ler calmamente, a enchente de verbetes passava rapidamente pela minha cabeça. Aquilo não era nada que eu já havia visto na vida, eu conseguia manter meus olhos focados nas palavras e minha mente aguçadamente alerta para as imagens da personagem perdida dentro de uma revolução no começo do milênio passado.

Apesar de o livro ter trezentas páginas ou mais, não demorei mais que duas horas para terminá-lo somente parando algumas vezes para observar o que todos estavam fazendo. Alice havia trazido mais meia dúzia de outros volumes e agora escrevia algo em uma folha, muito concentrada. Jasper e Edward combinavam uma caçada nas proximidades e Renesme e Jacob faziam algo que apenas os dois achavam interessante.

“Bella dê uma olhada nessa programação que eu fiz.” Ela parou de escrever e estendeu a folha para mim.

Eu a peguei e dei uma rápida passada com os olhos. A folha estava dividida em quatro colunas perfeitas, cada uma com a data e as atividades do dia na letra impecável de Alice.

“E o dia da festa? Porque não está marcado aqui?” Perguntei olhando-a por cima da folha.

“Você não terá nenhum livro restante no dia da festa, já terá lido todos.” Alice respondeu sem hesitar.

“Ah, então será na sexta que iremos caçar?” Dessa vez, Edward se virou para perguntar à Alice. “Bom saber.” Disse ele.

“Sim, será o melhor dia pelo que posso ver.”

Voltei meus olhos para a folha, todos os horários estavam precisamente cronometrados e não havia nenhuma brecha entre as leituras. Eu imaginei se teria algum momento de folga nessa semana, para relaxar ou algo assim. Atrás de mim Jasper riu ruidosamente, ele devia ter captado a súbita mudança nos ares da atmosfera. Alice falou quase que imediatamente num tom repreensivo.

“Bella, nem pensei nisso.” Ela balançou seu dedo fino na direção do meu rosto.

“Eu não estava pensando em nada.” Tentei parecer inocente.

“A minha visão diz outra coisa. Foque-se, foque-se!”

“Ta bem, tanto faz.”

Segui a risca aquele cronograma maluco ao longo dos dias, eu preferia colocá-lo em prática na minha própria casa, mas segundo Alice, não havia tempo suficiente para ficar indo e vindo toda hora, então naquela semana ficaríamos na de Jacob.

Como eu havia previsto, a semana foi mais longa do que o normal e até mesmo o horário da caçada estava agendado. Todos nós atravessamos o rio que dividia New Hampshire de Vermont. A primeira floresta não era nem de perto igual às de Forks ou as da fronteira com o Canadá e, estava mais para um parque estadual, com veados e cervos. Mas, como era apenas temporária, então bastava.

Com a sede aplacada, eu pude me concentrar mais em minha rotina e no dia anterior à festa. Os horários continuavam impecáveis graças a Alice, ela já havia descoberto o local e o horário da festa por um flyer preso no mural da praça principal, onde ela surrupiou despercebida numa ligeira visita ao campus. Alice ficara extremamente chateada quando viu que a festa era exclusiva para os alunos e já começou a bolar planos para entrar de penetra.

“Talvez se eu roubasse a identidade de uma das garotas e tentasse me parecer com ela... Não, não. Acho melhor apenas pagar ao segurança, seria bem mais simples.”

Achei que aquilo já estava passando dos limites e pedi a Edward que a proibisse, eu não conseguiria agir normalmente sabendo que ela estaria vigiando.

“Oh, você é tão malvada, Bella.” Ela bufou. “Prometa-me então que irá contar tudo o que eu não puder ver, todos os detalhes.” Implorou me arrastando para o closet enorme no andar de cima com o notebook embaixo dos braços. “Prometa, por mim.”

“Claro, claro. Eu prometo.” Suspirei revirando os olhos.

Edward subiu atrás de nós sorrindo, aquilo tudo devia ser muito engraçado para ele, eu fazer tudo o que Alice queria e tudo mais. Ela abriu o notebook e tocou no dia de hoje. Dei uma boa olhada na roupa que ela havia escolhido, não era muito chique, mas com certeza não me faria passar sem ser notada. Ao colocá-la fiz uma careta para o espelho e virei para observar o que Edward vestiria. Seu jeans marrom e sua camisa moderna com palavras e imagens no estilo pop art era um visual moderno e incomum para mim, que estava acostumada com algo mais clássico.

“Bella, gostaria de pedir uma coisa antes de irmos.” Edward começou calmamente, eu o olhei desconfiada, mas logo percebi que sua voz não estava persuasiva suficiente para ser algo que eu não aceitaria.

“Pedir o quê?”

“Vamos tentar não nos isolar, está bem? Procure se socializar com todos, eu não te impedirei de fazer ou falar com quem você quiser.”

“Conversar e conhecer pessoas novas, estou bem?” Alice disse mais mandona.

“Certo, vou tentar.” Eu precisava admitir que nunca havia estado verdadeiramente numa festa. Em Phoenix,  meus amigos comemoravam comendo fora em algum restaurante e, em Forks eu ia apenas àquelas que Alice organizava contra a minha vontade. Havia muitas coisas nessas festas colegiais que eu nunca havia feito ou tentado mesmo quando humana.

Algo novo me esperava e eu tinha um pressentimento sobre isso, um pressentimento de que algo seria diferente, de que algo mudaria. Senti-me nervosa por um instante, expirei todo o ar dos meus pulmões, sentindo falta da sensação de calmaria que aquilo costumava causar e desci a escada em direção à porta.

 

 

Por: Aline Mayumi

 

Corrigido por Camila P. Olmedo

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Postado por Line às 17h24

20/01/2009

Capitulo quatro: Ciumes

 Capítulo quatro:

Ciúmes

 

Eu procurava não olhar para o céu daquela manhã, mas era difícil não notar a claridade do dia que atingia as paredes do cômodo, iluminando-o levemente através da cortina estampada. Eu olhava para Edward com intensidade, sem conseguir desviar meus olhos. Ele acariciava o contorno da minha cintura com um sorriso no canto da boca. Eu não precisava estar em sua mente para saber que seus pensamentos estavam no mesmo lugar que os meus na noite passada.

"Temos que ir, amor. O dever nos chama". Ele disse subindo a mão para meu pescoço e beijando-me ternamente nos lábios.

Levantar da cama envolvia um esforço maior do que eu imaginava. Eu não estava pronta para deixá-lo, não estava satisfeita, mas sabia que nunca estaria. E claro, haveria outras noites como aquela. Esse foi o argumento que me deu forças para colocar as pernas para fora da cama.

Edward levantou-se também e abriu as cortinas atrás de mim enquanto eu arrumava a cama habilmente. Nós nos vestimos com os robes azul-claros que estavam na cadeira ao lado do criado-mudo.

"Me diz uma coisa..." Me virei para encará-lo. "Onde estão os guarda-roupas desse quarto?" Revirei o cômodo com meus olhos aguçados para certificar-me de que não estavam escondidos atrás de alguma parede falsa. Nada. As paredes eram totalmente lisas em um tom pastel, com sua uniformidade quebrada apenas pela porta do banheiro ao fundo.

Ele sorriu e pegou minha mão me guiando do aposento até a porta.

"Oh!" Engasguei não podendo conter a minha surpresa.

Não se tratava de um banheiro, e sim de um closet enorme. Aquilo era bem a cara de Alice, fazer um closet quase do mesmo tamanho do quarto. Ele foi feito em diversas divisórias com entradas independentes, como mini-closets, cada um com vida própria. Cada qual com roupas da mesma cor, variando apenas o tom. Seguindo um padrão onde as camisas, blusas, vestidos e conjuntos ficavam nos cabides, calças que combinavam nas estantes e dúzias de pares de sapatos, botas e sandálias no chão. Eles ficavam emparelhados em um lado do corredor, e do outro lado, roupas de cores mais neutras e escuras que deviam ser de Edward.

 "Mas isso é um exagero! Tem roupas aqui para mais de uma década de uso sem precisar repetir nenhuma! Ela não pode estar pensando que terei ocasiões para usar algo como isso aqui". Puxei um vestido social longo, vermelho-sangue, do cabide. Ele era muito chique para qualquer lugar que eu fosse. Não haveria lugares assim em New Hampshire.

"Ela só queria que você estivesse preparada para qualquer tipo de ocasião. Veja, ela colocou suas roupas favoritas também". E apontou para uma sessão que parecia ter seu papel de parede feito de jeans. "E como prometido..." ele adentrou num dos closets do seu lado do corredor e voltou meio segundo depois segurando um moletom verde musgo com capuz, bolso central e a palavra Dartmouth costurado na altura do dorso. "... seu moletom da Universidade". Ele colocou em cima da minha roupa e me guiou até o fim do corredor. Eu não tinha percebido que no lugar da parede havia um grande espelho que ia do chão ao teto, o que deixava o aposento com uma dimensão bem maior. Mas mesmo colocando tudo em suas devidas proporções aquele closet ainda era muito grande.

"Nas próximas vezes, eu mesma quero escolher nossa casa, ok?"

"Tudo o que você quiser, Bella. Se você pedisse, eu construiria uma casa com minhas próprias mãos só pra você. Você é tudo pra mim agora, tudo o que eu fizer será exclusivamente seu".

Aquelas palavras vieram como um impacto na minha cabeça. Eu devia ter feito algo extraordinariamente bom em outra vida para ser recompensada com um homem como Edward, ele era muito mais do que eu merecia. Senti-me pequena em relação a ele. Corri para seus braços e o abracei forte. Todas as emoções que eu mais prezava, e sentia próximo a ele foram se esvaindo de minha mente. Uma a uma acompanhada de uma lembrança feliz. Amor, sinceridade, carinho, paixão, amizade, honestidade e compreensão. Todas elas se soltando como pássaros livres. Eu o enchi com tantas imagens tão rapidamente que mal precisava fazer esforço para desconte-las de minha cabeça, elas saíam quase sem permissão. Estava ficando mais fácil me conectar a ele dessa forma; como sempre, a prática levara à perfeição. Eu tomei muito cuidado para mostrar apenas aquelas lembranças que me faziam feliz, mas fui totalmente interrompida por uma voz ao fundo do outro aposento.

"Mamãe? Papai? Onde vocês estão?" Renesmee disse numa voz adormecida, porém muito clara. Ela procurava por nós.

Eu me desvencilhei dos braços de Edward e andei ligeiramente até a porta.

"Aqui, filha". Ela subiu em meu colo. Andei novamente até o closet e parei ao lado de Edward. Renesmee logo avistou todas aquelas roupas coloridas e tocou minha mandíbula com sua mãozinha quente como fogo.

"Claro que você pode vê-las". Eu a coloquei no chão respondendo a sua pergunta silenciosa. Ela correu até o closet de roupas pratas, se embrenhando embaixo das dezenas de vestes.

 

Postado por Line às 12h43


continuação cap. quatro

 

"Irei levá-la à casa de Jacob em alguns minutos. Se vista, Bella". Edward disse andando até seu lado do corredor, escolhendo suas roupas.

Eu adentrei o closet de tons azul marinho, procurando por algo que me agradasse. Decidi por uma saia lápis-lazúli, uma camisa social de botões e uma sandália branca com detalhes em strass. Nada muito chique, mas definitivamente apresentável. Andei até o grande espelho para checar a escolha quando me dei conta.

"Oh, Edward, o que faremos a respeito disso?" Eu me forcei a piscar várias vezes para mostrá-lo.

Apesar de meus olhos estarem aceitavelmente coloridos para o padrão humano, em um tom alaranjado que se aproximava de dourado, eu achei melhor não chamar muita atenção e seguir com minhas lentes castanhas opacas.

"Bella, você não precisa mais usar lentes, seus olhos já estão numa cor normal." Edward indagou.

"Mas eles ainda ficarão dourados como os seus, eles ainda mudarão de cor. E se alguém perceber?" Eu disse hesitante. Aquelas lentes eram meio incômodas.

"Bem pensado. Mas de qualquer forma, pelo tom que está agora, não irá demorar até ficarem dourados. Alice estocou algumas lentes no closet de acessórios ali no canto".

Eu sorri. Meus olhos se tornarem da mesma cor que resto dos vampiros "vegetarianos" era o último evento que faltava para eu finalmente deixar de ser uma vampira recém-nascida. Eu havia notado há duas semanas que minha força já se igualava à de todos os outros Cullen, isso depois de uma queda de braço muito acirrada com Emmett. O sangue dos animais que cacei havia substituído praticamente todo o sangue humano que eu consumira enquanto grávida de Renesmee.

Edward já me esperava na batente da porta enquanto eu colocava minhas lentes. Renesmee, no seu colo, vestida agora com uma roupa mais esportiva, como se ela estivesse para sair em um passeio no campo. Imaginei o que ela e Jacob fariam na nossa ausência.

"Estou levando Renesmee, não demorarei mais que alguns minutos, enquanto isso você deveria ficar e revisar suas falas; se preparar para a entrevista". Edward caminhou em minha direção e beijou cuidadosamente meus lábios. Acompanhei-o até a porta da frente e observei-o enquanto saía da garagem pelo caminho asfaltado até desaparecer na esquina.

Passei mentalmente todas as respostas para as possíveis perguntas que o reitor faria. Minha memória não falhou em momento algum, tudo o que Edward e eu havíamos programado estava muito bem armazenado em minha mente. Ela funcionava muito melhor agora, eu não precisava me preocupar em esquecer as coisas, mesmo porque eu poderia fazê-las rapidamente no momento em que viessem à minha cabeça. Eu havia repassado cada resposta minuciosamente duas vezes antes de escutar o barulho do Volvo virando a esquina novamente. Entrei no carro e seguimos caminho até Dartmouth.

            Três ou quatro milhas depois, Edward parou no amplo estacionamento da Universidade.  Não havia muitos carros e as ruas do campus estavam desertas. Todos os alunos estariam aproveitando a última semana de férias. Dirigimo-nos até a rua principal que dava para o escritório de admissões. Seria necessário atravessar toda a extensão da praça pelo caminho longo central. Eu podia ver ao longe a torre do relógio acima do escritório, era uma edificação suntuosa com um semblante memorial rodeada de árvores. O clima estava gelado para a estação primaveril que se estendia, mas aquele era o normal da pequena cidade de Hanover que tão próximo do norte, seguia com dias frios e nublados ao longo do ano. Nós não precisaríamos nos preocupar com o sol por pelo menos seis meses antes de entrarmos novamente no verão.

Pisamos na calçada plana e começamos a caminhar. Todas as pessoas que não foram viajar estavam aglomeradas de certa forma naquele gramado verde, sendo que algumas estavam lendo nos bancos ou no chão, outras namoravam, algumas conversavam ou mexiam em notebooks ao pé das majestosas árvores. Havia um grupo de atletas treinando arremessos com uma bola de football. Percebi que muitos olhares já estavam em nós e, inconscientemente procurei andar um pouco menos elegante. Eu podia ouvir nitidamente os sussurros que evadiam de suas bocas.

"Quem são eles?" - "Dê uma olhada para aqueles dois" - "Nossa, olhe para aquilo." As indagações variavam entre admiração, respeito e inveja. Desejei ter tomado o caminho mais longo em volta da praça para poder passar despercebida pelas árvores. Mas, não pude deixar de prestar atenção em alguns comentários femininos cheio de palavras ásperas e desafiosas. Uma garota abafou uma risada nas costas da mão e comentou com a amiga que estava ao lado: - "Olhe para aquela garota, deve estar se achando com tantas roupas de marca, aposto que por baixo de tanta futilidade não tem nem um pouco de conteúdo. Se o rapaz estiver sozinho aposto que consigo..."

Tive que me concentrar no caminho para não escutar o resto de sua frase. Todas aquelas pessoas estavam fascinadas e abismadas ao mesmo tempo. A reação deles quanto a nossa aparência foi totalmente contrária a que tive quando avistei os Cullen pela primeira vez; eu apenas havia imaginado que não haveriam criaturas tão perfeitas em todo o mundo e desejava conhecê-los de perto.

Foi então que compreendi que não era a única que estava tendo problemas com os comentários,  Edward parecia muito mais incomodado. Era estranho vê-lo tão enciumado, apesar de todas as vezes que eu havia dito que ele era o homem (ou o vampiro) da minha vida e que eu só tinha olhos para ele, nada o deixava totalmente seguro enquanto andávamos pela rua do campus sob admirações masculinas e fantasias pecaminosas.

Ele constantemente lançava olhares fulminantes de raiva para alguns estudantes que me encaravam, devia ser bem mais difícil para ele poder penetrar na mente e descobrir cada palavra dos pensamentos que não poderiam ser ditos em voz alta. Eu era tão diferente dele nesse aspecto; eu continha em minhas entranhas o meu ciúme por todos os suspiros apaixonados que ele recebia. Não exclamava nada, minha raiva era interna. Acho que isso se dava ao fato de eu ter escutado por tanto tempo os comentários rancorosos de Jéssica, sua amargura e desilusão eram tão grandes que ao mesmo tempo em que Edward a fascinava, ele também a repugnava. Para mim restou apenas ouvir todas as suas frustrações amorosas e isso me preparara para uma circunstância como aquela.

Edward parecia mais furioso e isso estava consumindo-o, eu resolvi intervir.

'Acalme-se, você sabe que não há necessidade para isso'. Eu deixei esse pensamento se desacorrentar do meu cérebro.

"Eu sei." Ele murmurou entre dentes num tom que somente eu poderia ouvir. Sua mandíbula se cerrou fortemente e seus lábios que estavam fechados em uma linha dura foram se afrouxando. Nós seguimos em frente em direção a porta do hall de entrada.

Uma senhora magrinha estava sentada muito atarefada atrás de uma pilha de documentos, deixando passar despercebida a nossa presença. Tomei aquele segundo para desanuviar a cabeça dos últimos acontecimentos. Meus olhos pararam na mulher, seus óculos estavam pendurados na ponta do nariz por uma corrente dourada e ela exalava um ar responsável e superior, mas muito gentil. Edward pigarreou para chamar-lhe a atenção.

"Boa tarde. Nós temos uma reunião marcada com o reitor Crady" E dirigiu-se à mesa falando com uma voz polida. A mulher tomou alguns segundos para se desatordoar do efeito deslumbrante da voz de Edward.

"Ah, sim claro. Deixe-me ver..." Posicionando os óculos corretamente no nariz. "Vocês devem ser os Cullens, certo? O reitor irá vê-los em alguns instantes." Ela levantou e nos acompanhou até a ante-sala do escritório principal nos mostrando as cadeiras almofadadas e retirou-se para sua mesa.

Estávamos completamente sozinhos naquela sala esverdeada, onde estavam expostos os brasões e bandeiras da universidade. Havia fotos de turmas das décadas passadas e muitos troféus atrás do vidro grosso grudado a parede.

Voltei minha atenção para Edward que também analisava a sala.

"Edward, eu sei que agora não é hora, mas o que foi tudo aquilo lá fora? Você não precisava agir daquele jeito, você sabe disso." Afirmei segurando firme sua mão.

"Eu sei". Ele repetiu esfregando a têmpora e respirando fundo, sua mandíbula estava trincada novamente. "É só que... é como Mike Newton e Tyler Crowley e seus pensamentos inadequados. Eu nunca realmente superei aquilo". Sua voz tropeçou na última palavra. Seus olhos estavam intensos nos meus, implorando por perdão. Ele havia dito aquilo com tanta sinceridade que mexeu com as estruturas dos meus princípios sobre honestidade conjugal. Um homem normal teria levado anos para confessar seu ciúme colegial à sua mulher.

"Acho que devíamos conversar sobre isso mais tarde." Eu disse resoluta.

Tanto eu quanto ele teríamos que saber lidar com os humanos e suas fraquezas ao nosso redor. Eu nunca havia me dado conta de como aquilo fora difícil para os Cullen mesmo numa cidade minúscula como Forks. Talvez eles terem sido considerados os "estranhos" que apenas se isolavam tenha sido a solução para evitar situações embaraçosas como aquela.

Postado por Line às 12h42


capitulo quatro: Ciumes

 

Ele concordou com a cabeça meio segundo antes de escutarmos a maçaneta girando do outro lado da porta. Desvencilhei nossas mãos que estavam entrelaçadas em meu colo e me levantei rapidamente arrumando minha roupa no corpo, Edward já de pé ao meu lado.

"Entrem, por favor." Disse o reitor aparecendo pela porta do escritório e esboçando um sorriso para nós. Era um homem muito enérgico, sorridente e brincalhão, mas podíamos ver que levava seu trabalho muito a sério. "Sr. e Sra. Cullen, é um prazer finalmente conhecê-los." Ele estendeu sua mão em minha direção para cumprimentar-me. Eu hesitei um instante, mas achei que seria rude ignorar seu gesto e o cumprimentei de volta. Edward fez o mesmo.

"Nossa, deve estar muito frio lá fora. Gostariam que eu ligasse o aquecedor?"

"Não, por favor, não se incomode reitor Crady." Edward pôs-se a falar.

Nós nos sentamos nas duas únicas cadeiras em frente a grande mesa de mogno de seu escritório. A plaqueta de metal em sua superfície continha a inscrição "Dean Tom Crady" gravada. Nós começamos a conversa calmamente, eu falava na grande maioria. O reitor intervinha com perguntas sobre as minhas expectativas e onde eu me via em dez anos, depois passando a atenção para Edward. Todas as respostas para essas perguntas estavam gravadas na minha mente e eu não hesitei em nenhuma, respondendo o mais tranqüilamente que conseguia. Ele parecia estar encantado com o meu futuro promissor.

No final, o reitor parecia bem otimista sobre meu desempenho e adaptação em sua universidade. Enquanto nos acompanhava até a porta, mandou sua secretária arrumar os papéis de inscrição do curso. Ele agradeceu simpaticamente pela nossa visita e voltou para seu escritório fechando a porta atrás de si. A senhora baixinha olhou para a porta por cima dos óculos e então voltou a nos encarar com um sorriso envergonhado.

"O Sr. Crady deve ter apreciado bastante a senhorita, ele não é sempre tão bem humorado." Ela disse remexendo sua gaveta a procura dos formulários.

Edward apertou meu braço. "Ele realmente te achou uma pessoa encantadora e espera grandes feitos de sua parte, amor."

Eu estava feliz por todo aquele otimismo, seria muito mais fácil encarar as novidades e surpresas sabendo que havia pessoas que acreditavam no meu potencial.

"Aqui está." Ela disse estendendo uma folha para cada um de nós. "A universidade também dispõe de muitos cursos extracurriculares onde vocês poderão estar se inscrevendo"

Nós preenchemos a folha com nossas informações e os dados dos nossos cursos devolvendo-os rapidamente para a senhora. Ela nos entregou a lista dos livros e nos indicou o caminho até a livraria do campus

Eu me senti aliviada por não precisar passar pela praça novamente. O caminho que pegaríamos era seguindo pela rua do Hall de Admissões que estava bastante deserta. A livraria era enorme e dividida em várias sessões, uma para cada curso. Eu me dirigi à prateleira laranja onde os livros para Literatura Comparativa estavam expostos e chequei a lista que levava na mão.

"Bella, você prefere as edições mais antigas ou as mais recentes? Sempre tive dúvidas se você gostava dos seus livros surrados ou só não os comprava novamente."  Edward brincou. Era verdade que muitos dos meus livros estava tão acabados de ler que mais pareciam manuscritos faraônicos.

"As mais recentes servem." Eu disse com um sorriso nos lábios.

Continuei procurando pelos livros da lista. Alguns eram de autores que eu só havia ouvido falar. A maioria de autores estrangeiros com nomes estranhos. A pilha em meus braços se estendeu até o meu queixo e, eu achei melhor colocá-las em cima do balcão antes que o atendente pudesse notar.

Edward havia desaparecido dentro das estantes. Chamei seu nome em meus pensamentos. Nenhuma resposta. Eu estava correndo rapidamente pelo corredor principal a sua procura quando escutei um barulho. Virando bruscamente em uma das esquinas, eu acabei tomando um susto com um estudante que estava segurando uma pilha de livros; eles foram todos parar no chão.

"Oh, me desculpe". Eu disse agachando no chão duro e ajudando-o a recolher-lhos. Seus olhos estavam arregalados em minha direção, mas eu os ignorei. "Licença". Virei as costas para ele e continuei a procurar por Edward.

"Bella, você pode vir aqui um segundo?" Era a voz de Edward, abafada vinda da estante atrás de mim. Eu andei calmamente até o corredor e o encontrei logo na entrada da sessão. Duas garotas loiras estavam a sua frente sorrindo, seus sorrisos brocharam quando eu parei ao lado de Edward e sua mão perpassou pela minha cintura num gesto decisivo.

"Essa é Isabella Cullen, minha esposa." Ele sorriu para mim.

"Esposa?" A garota mais alta indagou. Ela não parecia convencida, sua cara de choque era meio engraçada, mas eu tentei não rir e apenas devolvi a apresentação com um sorriso.

"Sim." Ele falou. "Bella, essas duas garotas gostariam de saber se estaríamos livres para a primeira festa do ano aqui em Dartmouth".

"Na verdade, era só vo... Ai." Ela não pôde completar a frase. A garota mais baixa deu uma cotovelada em sua costela, seus olhos ainda vidrados na aliança de diamantes em meu dedo.

"É claro que gostaríamos de saber." Ela disse desviando os olhos rapidamente. "Vocês irão? Todo mundo está convidado."

Era óbvio que o convite não se estendia a mim. Como elas podiam ser tão ousadas? O que havia de errado com aquelas garotas? Elas simplesmente haviam perdido a noção de perigo? Meus olhos fuzilaram os seus enquanto eu respondia.

"Não, provavelmente não. Estaremos muito ocupados com os assuntos da faculdade, me desculpem." Eu disse educadamente. Edward ao meu lado pareceu aliviado.

"Oh, certo. Se mudarem de idéia, meu nome é Naomi." Ela estava se dirigindo apenas a Edward novamente. Eu estava irada, uma fúria pareceu encher toda a superfície do meu corpo. Eu a continha com uma energia sobrenatural. As duas garotas saíram andando corredor afora, uma delas lançou um sorriso sorrateiro para mim.

Edward expirou aliviado. "Obrigada por não acertá-las até a morte com um livro."

"Eu não tinha nenhum por perto." Não pude deixar de rir. "Elas não se deram nem ao trabalho de perguntar se você estava comprometido."

"Oh, elas sabiam disso. Já haviam visto minha aliança lá fora na entrada da livraria. Você não tem idéia de como a mente feminina pode ser perversa. Eu pareço algum prêmio a ser ganho?" Ele sorriu abertamente pousando as mãos na minha nuca e puxando-me para mais próximo de si. "Você também não tem nada com o que se preocupar." Entendi seu ânimo, meu comportamento grosseiro havia deixado transparecer que eu tinha tanto ciúmes quanto ele.

"Eu não estou nem um pouco preocupada." Menti, alcançando seus lábios num selo curto.

"Você continua uma péssima mentirosa." E sorriu de novo apanhando rapidamente uma pilha de livros que estavam a alguns metros de nós e entrelaçando seus dedos nos meus puxando-me para o balcão. Havia dois montes de livros que subiam até nossos rostos, todos os livros do semestre anterior e os desse semestre. Contei rapidamente com os olhos, eram 24 deles.

"São dois livros por mês, não será difícil se atualizar." Edward respondeu lendo meu rosto, tentando me tranqüilizar.

"É. Serão longas noites de leitura." Eu choraminguei.

O atendente apareceu pelas portas do fundo e passou cada um dos livros pela registradora, dividindo-os em três caixas de papelão. Aquela pequena compra tinha o valor de todas as minhas economias e ainda faltava uma parte, mas para Edward não faria diferença alguma. Tentei não me importar com os montantes de dinheiro gastos, uma vez que eu havia prometido pensá-los como meus agora.

Nós carregamos a caixa de volta até o estacionamento e passamos pela saída do campus em direção à casa de Jacob. Essa seria uma semana muito longa.

  

Por: Aline Mayumi

Corrigido por Camila P. Olmedo

Revisão por Willian dos Santos

COMENTEM, SEUS COMENTARIOS SÃO NOSSAS MOTIVAÇÕES.

Postado por Line às 12h40

17/01/2009

Capitulo tres: Rua Spencer

Capítulo três:

 Rua Spencer

 

O vôo que sairia de Seattle fazendo escala em Chicago e finalmente chegando a Boston não seria longo, o tempo para mim estava ficando tão irrelevante que às vezes era difícil dizer se o sol que despontava no horizonte era nascente ou poente. A única coisa que me mantinha com uma noção do tempo era o sono de Renesmee, que assim como os humanos, dormia profundamente a noite; e as visitas de Jacob que eram apenas matinais e vespertinas sincronizadas, obviamente, com o sono de Renesmee. Os carros já haviam sido mandados e a viagem marcada.

Foi totalmente em vão tentar convencer Edward que eu conseguia seguir seu Volvo pelas estradas de Boston até Hanover, ele queria estar comigo de qualquer jeito.

"Vou estar ao seu lado quando dirigir seu carro pela primeira vez", ele disse com seu sorriso torto muito persuasivo. Eu havia tentado lembrar o nome do carro e saber se ele havia gastado mais do que o combinado. Ele falou o nome, uma marca italiana muito conhecida que eu não me recordava mais, um carro veloz como ele disse. O nome me fez lembrar por um instante de capas negras ao vento andando rapidamente sobre a densa floresta tão branca que os vultos eram discerníveis à distância perfeitamente. Eu balancei a cabeça afastando o pensamento e agradecendo aos céus por ser a única que Edward não podia ler os pensamentos - pelo menos não sem minha permissão -, ele provavelmente começaria uma de suas discussões sobre como estaríamos seguros e como os Volturi nunca se arriscariam a um ataque em uma universidade tão grande como Dartmouth. Certo, eu estaria segura em volta da multidão, mas estaria a multidão segura? Eu tinha que me concentrar nessas perguntas mais tarde.

As aulas começariam exatamente em uma semana, seria o tempo suficiente para a mudança e as adaptações necessárias. Não seria exatamente uma mudança, assim como quando vim para Forks, não havia muito que levar comigo, minha bagagem era basicamente composta por livros meus e de Edward. Alice não havia permitido que eu levasse nenhuma roupa do meu guarda-roupa atual alegando obsessivamente que aquelas roupas não eram apropriadas para um lugar como New Hampshire.

"As roupas daqui são simples, Bella, as que eu já providenciei são muito melhores", ela disse sorrindo e cantarolando ao meu redor com sua voz macia e aveludada. "Não que aqui você as escolhesse sabiamente de qualquer forma..." ela torceu o nariz me analisando. "Eu terei que banir jeans e moletom da sua casa?"

Eu gemi. A lembrança das inúmeras prateleiras intocadas de roupas compradas por Alice já era horripilante sendo simples, eu imaginei as coisas extravagantes e elegantes que me aguardavam. Edward se aproximou rapidamente ao meu lado segurando-me com um abraço firme e sussurrando no meu pescoço.

"Não se preocupe, amor. Haverá muitos moletons da universidade esperando por você." Ele disse lançando um olhar culposo à Alice, que mostrou a língua e saiu andando ligeiramente pela porta visivelmente ofendida.

O dia da mudança amanheceu nublado com um chuvisco leve. Alice nos levaria até o aeroporto, mas antes, fez questão de uma rápida passada em Portland. Ela nos pegaria na estrada em alguns minutos. Edward deixou as duas malas juntas encostadas em um canto próximo, Renesmee desceu de seu colo e se pôs a andar de um lado para o outro na grama. A chuva havia passado deixando rastros de orvalho nas árvores e arbustos e o sol coberto pelas nuvens grossas fizeram as gotas brilharem. Renesmee sorriu para o arco-íris de cores que se movimentavam deixando a mostra seus dentes cintilantes como diamantes, seu vestido púrpura franzido movia-se seguindo o seu corpo e ela usava uma meia grossa branca quase até o joelho com sapatos de tiras cor bege. Ela era tão linda e seu riso completava-a como uma pintura angelical, ainda era difícil de acreditar que ela era minha filha, havia tanto de Edward nela... O sorriso que deslumbrava a todos, sua pele macia como veludo, seus cachos dourados-avermelhados. Seus olhos eram de um castanho-mel como os meus eram, como eu desejei que ela puxasse isso de Edward também, ela devia ser totalmente ele, não herdar nenhuma característica humana e sem graça minha.

Jacob chegou em seguida com uma mochila nas costas e outra na mão e segundos depois foi a vez de Alice em seu Porsche amarelo-canário berrante. Renesmee pulou no colo de Jacob e se aquietou em seus pensamentos.

O vôo foi curto e tedioso, eu não via o tempo passar enquanto Jacob e Renesmee dormiam nos assentos ao meu lado. A cabine da classe alta era tão quieta comparada a da classe econômica. O ronco de Jacob atraia uns olhares curiosos para nós e sua cabeça começou a pender para o meu lado do assento. Edward me puxou mais para perto dele e grunhiu de leve para Jacob que continuava a roncar em um sono profundo.

"Seria fascinante se não fosse tão estranho o quanto o sonho dos dois é parecido", ele disse com uma voz dura.

Eu achei que aquele era um bom momento para tirar minhas dúvidas.

"Edward..", eu disse percorrendo os olhos rapidamente para me certificar que ninguém estava prestando mais atenção do que deveria em nós. "não que eu esteja preocupada, mas o que devo esperar da universidade, digo, sendo uma recém-nascida e tudo mais? E acima de tudo, sendo uma novata?", seus olhos me fitaram durante um tempo pensando talvez em uma resposta que me acalmaria.

"Bella, não há nada realmente o que esperar, você estaria entrando numa nova fase da sua vida assim mesmo se ainda fosse humana", ele pausou puxando meu queixo pra próximo do seu rosto e me beijando nos lábios. "Além do mais, eu estarei lá com você, você nunca estará sozinha, eu te prometo isso".

Eu correspondi seu beijo deixando a sensação de calmaria penetrar pelos meus músculos, as coisas serão tão diferentes. Não haveria tanto tempo. Eu resisti a um impulso repentino de arrastá-lo para o banheiro. Equilíbrio, Bella, eu tinha que me lembrar disso. Eu me concentrei nas aulas.

"Eu sei que já conversamos sobre isso milhares de vezes. Mas você tem certeza que não seria melhor eu cursar Medicina?", eu indaguei me curvando para encontrar seus olhos. Dartmouth possui três escolas líderes entre os outros cursos: Medicina, Engenharia e Administração de Negócios. Nenhuma delas era realmente a minha cara, mas como vampira eu tinha que pesar as prioridades, eu queria fazer Medicina assim como os dois únicos vampiros da família, Edward e Carlisle, fizeram.

"Não vou te forçar a fazer nada que não queira. Você está aqui para isso, fazer o que gosta. Medicina não tem nada a ver com você e você sabe disso! Você nem ao menos podia ver sangue, lembra?", ele disse dando uma risada e lembrando dos primeiros dias que nos conhecemos. "Há tantos outros cursos que você se interessaria, História, Inglês, Literatura Comparativa, Filosofia".

"Inglês seria bom. Mas não queria me prender tanto a esse... continente. Viajar pelo mundo ainda é uma das minhas metas", eu disse convicta enquanto acariciava a lateral do seu rosto e sua mandíbula.

"Metas?", ele disse num olhar de dúvida. "Me conte sobre essas suas metas".

"Oh, não é nada demais. Algumas coisas que eu havia planejado fazer quando eu me tornasse vampira", eu disse encabulada por mostrar a ele que eu pensava bastante naquilo quando humana. "Nós teremos tempo suficiente para fazer cada uma delas, não é? Universidade é a meta da vez, vamos seguir com isso, acho que vou decidir por Literatura Comparativa, afinal, terei que conhecer a cultura de outros povos quando for visitá-los, certo?". Eu suspirei longamente esperando que ele esquecesse sobre o assunto e olhei pela janela por cima de seus ombros largos. O dia ia embora enquanto o sol desaparecia atrás das nuvens mais longes no horizonte, eu encarava o céu com tanta intensidade que parecia que meu olhar fazia-o escurecer, mas era apenas o tempo escorregando pela minha distração novamente.

Ao chegarmos em Boston, pegamos um táxi até um depósito alguns quarteirões do aeroporto. O motorista olhou espantado quando nos viu entrar no táxi, eu não sabia dizer se era pelo tamanho de Jacob com suas pernas longas que o faziam bater a cabeça no teto ou se era a nossa beleza que o deslumbrara. Seria a primeira vez que eu realmente saía dos confins de uma cidade pequena com minha aparência vampira e essa não havia sido a primeira reação impressionada que eu recebia, mas foi a primeira que percebi.

Nossos carros nos aguardavam embaixo de uma capa preta e grossa. Edward sabia do meu desgosto por presentes caros e preferiu sabiamente não fazer grande caso puxando rapidamente as duas capas. Ao lado do seu Volvo prata estava meu carro de depois, porém, eu rapidamente observei que não era o mesmo que eu vi na garagem dos Cullen há alguns meses atrás, ele não era tão alto assim, era mais rebaixado. Ou eu havia ficado mais baixa? Eu me comparei rapidamente com Edward e deduzi apenas que não era o mesmo carro. Ele parecia muito com o carro de antes, aquele a prova de mísseis e tanques e com quatro toneladas de proteção corporal, a não ser pela cor que não era nem prata nem preto, mas sim um cinza escuro como um diamante negro reluzente. Eu olhei acusadoramente para Edward buscando uma explicação.

Postado por Line às 00h09


 

"Calma, amor. Esse não é seu carro de antes e nem seu carro de depois. Eu tive que trocá-lo, pois a cidade é cheia de turistas e ele chamaria atenção", ele disse com uma cara suave e implorativa. Eu suspirei aliviada andando em direção do carro quando Jacob saiu na frente alisando sua lateral e parando os dedos em um tridente reluzente com uma tira vermelha. Seus olhos eram de pura admiração.

"Isso é realmente um Maserati Gran Turismo?", ele rugiu entusiasmado.

Eu me encolhi em resposta à sua reação e olhei para o carro menos confortável agora.

Edward rosnou furioso para Jacob e gritou. "Guarde seus pensamentos para você, cachorro, ou eu corto a sua língua fora" ele disse virando para me encarar. "Não se preocupe Bella, é um carro tão comum quanto qualquer outro".

Jacob havia concordado em guiar o carro de Edward até New Hampshire e contornou o Volvo prata até o porta-malas jogando sua bagagem sem se importar com o barulho. Ele abriu a porta e esboçou uma careta enrugando o nariz.

"Nossa, como eu suspeitava, o fedor parece ficar pior em lugares menores e fechados" e ligou o carro fazendo o motor rugir tentando se adaptar ao acelerador. Eu entrei no meu novo carro revirando os olhos e liguei-o também. Os bancos do carro cheiravam a couro novo e eram de um vermelho-alaranjado liso assim como o painel frontal. Edward abriu a porta de trás para Renesmee e então estava sentado ao meu lado dando instruções.

"O carro possui GPS, será fácil encontrar o endereço", ele disse ajustando algo na tela clara do painel; ele voltou os olhos para mim e esperou por um segundo enquanto avaliava se devia continuar. "Bella, espero que compreenda. O carro é totalmente blindado, apenas, entenda meu ponto...", ele postou os dedos sobre meus lábios para me calar quando viu que eu o interromperia. "...eu sei que você pediu nada de exageros, mas não é apenas a sua segurança. Você não se feriria por nada que fosse parado pela blindagem,  é só que, caso algo aconteça com o carro e você estiver dentro, eu não quero dar motivos para uma investigação minuciosa desnecessária quando você sair dele ilesa, ok?"

Eu suspirei, aceitando. "Eu entendo, não se preocupe, eu não farei caso disso".

A viagem foi tão calma quanto a anterior. Renesmee no banco de trás às minhas costas olhava e sorria para as luzes das ruas na noite e virava de pé no banco para mandar tchauzinhos para o Volvo atrás de nós. Eu entendia agora, assim como as corridas na floresta, porque era tão fácil para Edward andar a tão rápida velocidade. A noite realmente não atrapalhava em nada, eu conseguia captar pela minha visão cada curva, cada carro na rua, cada brisa que movia as folhas das árvores e pela minha visão periférica a paisagem noturna da cidade a caminho de New Hampshire aproveitando para conhecer um pouco a dinâmica do condado que agora seria meu novo lar.

Quando chegamos à zona residencial, Jacob virou uma rua contrária à minha seguindo para sua própria casa pelo mapa que Edward devia ter passado enquanto não estava olhando. Dois quarteirões depois ele me mandou estacionar na garagem de uma casa. A placa no início na esquina dizia: 'Spencer Rd' - Rua Spencer.

Era uma casa bem majestosa, tinha um gramado verde e extenso na frente com flores plantadas junto à varanda. A varanda se erguia por trás de três pilastras e era iluminada por clarabóias grudadas na parte. Havia um arco mais grosso que dava acesso à porta da frente. Era possível ver um caminho de pedras à esquerda que dava acesso ao portão do quintal de trás. Ela possuía dois andares e talvez um sótão, o telhado fora feito em diferentes níveis o que deu uma aparência de um castelo principalmente por causa da noite e todas as paredes eram cobertas por janelas de vários formatos.

Eu peguei Renesmee no colo e andei com ela até o primeiro degrau antes da porta. Edward logo atrás carregando as malas com os livros e um embrulho dourado com uma fita vermelha por cima. Eu esperei até que ele abrisse a porta e acendi a luz analisando o ambiente, havia muitos móveis feitos de madeira e os sofás e poltronas eram vinho combinando com a cor das cortinas. A casa parecia aconchegante como a nossa choupana na floresta. Renesmee apertou suas mãozinhas na minha bochecha. Ela me mostrou a imagem do seu antigo quarto.

"Edward, onde fica o quarto dela?", eu me virei para perguntar.

"Subindo as escadas, por aqui", ele disse passando o braço sobre minha cintura e me conduzindo a escada.

O andar de cima tinha uma aparência muito mais nova, como se houvesse sido reformado recentemente. Os móveis pareciam menos tradicionais e o corredor era coberto de quadros modernos. Ele me levou até o último quarto do corredor através de uma porta azul clara texturizada com o nome de Renesmee. O quarto era mágico, era como se tivessem pendurado milhares de prismas em todos os cantos e iluminassem-nas com um sol artificial. Arco-íris era a cor favorita de Renesmee e Edward fez questão de deixar isso claro. Havia alguns bichos de pelúcia em cima de uma estante com livros coloridos e uma penteadeira com um espelho envolto de um véu branco. Renesmee virou a cabeça para Edward ao mesmo tempo em que me tocada com suas mãos quentes.

"De nada, filha", Edward respondeu rapidamente ao agradecimento silencioso dela que entrava na minha cabeça.

Nós ficamos durante um tempo em pé na batente da porta observando nossa filha descobrir o novo quarto dela e depois fechamos a porta atrás de nós para irmos até nosso próprio quarto. Era o penúltimo quarto do outro lado do corredor, eu observei que o quarto em frente ao de Renesmee era na verdade uma biblioteca com estantes de livros até o teto e uma mesa redonda no centro. Nosso quarto era um retângulo uniforme quebrado apenas pela porta que dava para o banheiro. Achei engraçado ter um banheiro nele e não no de Renesmee, uma vez que somente ela na casa o usaria. A cama king-size estava forrada com uma roupa de cama azul Royal e a cabeceira era de aço moldado com pontas em formato de flores-de-lis.

Edward me puxou para a beirada da cama com um sorriso lisonjeiro. Eu percebi que as malas pesadas que ele carregava não estavam mais com ele. Ele começou a acariciar meu rosto e com a outra mão ele passava pela curva da minha nuca descendo lentamente até a parte debaixo das minhas costas. Eu encontrei seu olhar durante um tempo e me concentrei no que queria perguntar.

"Não se preocupe, Renesmee adormeceu há cinco minutos. Nós não temos nada para fazer até amanhã de manhã, quando iremos até o gabinete de admissões do campus e passaremos na livraria da universidade para comprar seus livros. A propósito, Alice lhe deu um presente. Está lá embaixo na mesa, é uma cópia do Mercador de Veneza que ela achou que deveria repor...", eu apertei os braços ao seu redor e arrastei-o para o meio da cama.

"Amanhã de manhã eu vejo", eu murmurei encontrando sua boca ardente e beijando-o calorosamente. Eu sabia que deveria aproveitar essa noite, pois as próximas deveriam ser dedicadas a minha adaptação. Seus lábios percorreram toda a extensão da minha boca com movimentos rápidos e passou pela minha mandíbula contornando minha orelha e descendo até o meu pescoço. Ele me deitou nos travesseiros de plumas apoiando minhas costas totalmente para que pudesse ficar por cima. Uma sensação elétrica percorreu a minha espinha e minha pele ficou arrepiada. Ele sorriu com a reação involuntária do meu corpo e passou os dedos longos pelas bolinhas no meu braço e na minha barriga. Aquele sorriso me tirou a concentração por um instante e se eu pudesse eu teria corado. Ele puxou de uma só vez todos os botões da minha blusa sem arrancar nenhum e abaixou para beijar ao redor do meu umbigo subindo devagar e cuidadosamente. Meus olhos se fecharam com o prazer e eu gemi de ansiedade; eu não achei que conseguiria agüentar aquilo por muito mais tempo, a necessidade era muito mais urgente que a vontade e eu necessitava dele. Tentando ser delicada eu arranquei o resto das roupas e puxei sua cabeça para cima para poder beijar sua boca. Ele correspondeu o beijo com uma ferocidade instantânea, seus lábios se chocando contra os meus. Eu entornei meu quadril pra cima forçando nossos corpos se unirem, mas não foi necessário muito esforço, eu logo senti uma parte insignificante do seu peso me pressionando na cama. Nossos corpos se moviam graciosamente e eram perfeitos juntos, como peças de quebra-cabeça, como yin e yang, feitos para estarem unidos até a aurora matinal.

Por: Aline Mayumi

Revisão por: Willian dos Santos

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Postado por Line às 00h09